Nota Técnica

Criada pelos pesquisadores MathisWackernagel e William Rees - da Global Footprint Network (GFN), organização internacional pela sustentabilidade, parceira global da Rede WWF -, a Pegada Ecológica é uma metodologia de contabilidade ambiental que permite avaliar a demanda humana por recursos naturais renováveis com a capacidade regenerativa do planeta. É uma forma de traduzir a extensão de território que uma pessoa, cidade, país, região ou até a população do mundo todo utiliza, em média, para suprir suas demandas de consumoprodutos, bens e serviços. O cálculo é feito somando as áreas necessárias para fornecer os recursos renováveis utilizados com as que são ocupadas por infraestrutura (pelas cidades, por exemplo) e as áreas necessárias para a absorção de Gases de Efeito Estufa (GEE) lançados na atmosfera.

Para a composição desta Calculadora da Pegada Ecológica, utilizou-se como estudo a National Footprint Account (NFA) 2008/2011, o que significa que os bancos de dados para determinar a Pegada Ecológica - FAOSTAT (Food and Agriculture Organization of the United Nations) em sua maioria - são de 2008 e a metodologia para calcular a Pegada a partir destes bancos de dados é de 2011. A mais importante fonte de dados para a produção desta calculadora foi a Pesquisa de Orçamentos Familiares IBGE 2008/2009.

Na prática, a Pegada Ecológica mede a quantidade de terra biologicamente produtiva e de área aquática necessárias para produzir os recursos que um indivíduo, população ou atividade consome e para absorver os resíduos que gera, considerando a tecnologia e o gerenciamento de recursos prevalecentes. A área é expressa em hectares globais (hectares com produtividade biológica na média mundial).

Isso significa que a Pegada serve como um indicador da pressão humana sobre ecossistemas locais e globais, já que compara a demanda humana sobre a natureza com a capacidade da natureza de atender a essa demanda. Desde meados da década de 1980 a humanidade passou a consumir mais do que o planeta naturalmente oferece e se mantém acima do limite de um planeta necessário. Em 2007, a demanda da humanidade excedeu a taxa de regeneração da biosfera em mais de 50 %. Projeções para 2050 apontam que, se continuarmos procedendo desta forma, necessitaremos de mais de dois planetas para manter nosso padrão de consumo. Tal sobrecarga causará o esgotamento dos ecossistemas e a saturação dos sumidouros de resíduos. O estresse sobre os ecossistemas pode ter impacto negativo sobre a biodiversidade. Entretanto, a Pegada não mede este último impacto diretamente, nem tampouco especifica o quanto essa sobrecarga deve ser reduzida para evitar impactos negativos. Os resultados da pegada e da biocapacidade – habilidade dos ecossistemas de produzir materiais biológicos úteis e absorver materiais residuais - para os países são calculados anualmente pela Global Footprint Network (Rede Global da Pegada Ecológica), em colaboração com governos nacionais, para aprimorar os dados e a metodologia usada para os balanços nacionais de Pegada Ecológica

Três componentes principais formam a Pegada Ecológica de consumo:

1. Bens de consumo adquirido pelas famílias (chamado de “despesas domésticas”):alimentos, manutenção e operações da habitação, transporte pessoal, bens e serviços.
2. Consumo governamental (chamado de “governo”), que contém bens de consumo de vida curta: serviços públicos, escolas públicas, policiamento, administração e defesa.
3. Consumo de bens duráveis (chamado “formação bruta de capital fixo”): habitações novas, fábricas e máquinas novas, infraestrutura de transporte.

Os balanços de Pegada Ecológica fornecem dados instantâneos da demanda e disponibilidade de recursos no passado. Não prevêem o futuro, apenas descrevem quantitativamente os recursos usados por um indivíduo ou uma população, mas não estabelecem o que deveriam utilizar. Desse modo, ainda que a Pegada não estime perdas futuras causadas pela degradação atual dos ecossistemas, se essa degradação persistir, poderá ser refletida em balanços futuros como uma redução na biocapacidade, ou seja, no limite de recursos naturais renováveis que temos à disposição no planeta. Os balanços de Pegada também indicam a intensidade com que uma área biologicamente produtiva está sendo utilizada.

Atualmente, a média da Pegada Ecológica mundial é de 2,7 hectares globais por pessoa, enquanto a biocapacidade disponível para cada ser humano é de apenas 1,8 hectare global. Segundo o Relatório Planeta Vivo, publicado a cada dois anos pela rede WWF, a partir da década de 60, a demanda mundial por recursos naturais cresce a cada ano. Hoje consumimos o equivalente a 1,5 planeta para suprir nosso estilo de vida. E se continuarmos nesse ritmo, até 2050, vamos precisar do equivalente a 2,9 planetas para atender nossas demandas anuais. Enquanto isso, entre 1970 e 2008, a biodiversidade diminuiu em 30% em todo o mundo e sofreu uma redução de 60% nos países tropicais.

Como só temos um planeta, precisamos avaliar e repensar nossos hábitos de consumo e adotar uma postura mais consciente.Assim, o cálculo da pegada ecológicatem a missão de contribuir na melhoriada gestão pública, mobilizar a população a rever seus hábitos de consumo e escolher produtos mais sustentáveis, bem como dialogar com o empresariado, estimulando as organizações a melhorarem suas cadeiasprodutivas.

Fonte: Becker, M. ; Martins, T.; Campos, F. ; Morales, J C. A Pegada Ecológica de São Paulo - Estado e Capital e a família de pegadas (2012); WWF-Brasil, Brasília – DF. Acesso em 07/12/2015 : http://www.wwf.org.br/?31603/a-pegada-ecolgica-de-so-paulo--estado-e-capital